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Emigração portuguesa no fecho do ciclo “Povos em Movimento” da Cinemateca

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O “fenómeno histórico” da emigração portuguesa na Europa, nos anos 1970 e 1980, domina em maio a última parte do ciclo de cinema “Povos em Movimento – Migração, Exílio, Diáspora”, organizado pela Cinemateca Portuguesa.

“Se um fenómeno como a vastíssima emigração portuguesa para o Brasil no século XX não deixou traços cinematográficos, no caso da emigração para a França há então abundante material filmado, inclusive por imigrantes da primeira ou segunda geração”, escreve a Cinemateca, na programação de maio.

O ciclo “Povos em Movimento”, que começou em março, foi apresentando filmes “que espelham o modo como o fenómeno das migrações se refletiu no cinema”, abarcando cem anos de cinema e de História.

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O programa encerra em maio com um sub-programa dedicado em exclusivo à emigração portuguesa e, em particular, à emigração para França nos anos 1960 e 1970, por “ter sido de longe o fenómeno histórico que, pelo seu dramatismo único, se tornou objeto de maior investimento cinematográfico”.

A 14 de maio é exibida a ficção “O salto”, estreia do realizador Christian de Chalonge, de 1967, e que é considerado o primeiro filme a ter como tema a emigração portuguesa em França, misturando atores amadores e emigrantes.

Há apenas uma outra ficção escolhida para este ciclo, “Ganhar a vida” (2000), de João Canijo, com Rita Blanco e Adriano Luz, precisamente sobre a vida de uma comunidade portuguesa nos subúrbios de Paris.

A Cinemateca refere que a seleção de filmes “não pretende ser exaustiva” e aponta uma “lacuna importante, involuntária”, porque não foi localizada qualquer cópia de “Nacionalidade português”, filme de 1973 feito por Fernando Lopes e Nuno de Bragança, junto das comunidades portuguesas em França.

Do ciclo faz ainda parte, por exemplo, “O emigrante” (1955), de José Mendes, “um dos raríssimos filmes de propaganda do período salazarista a abordar a questão da emigração, quando esta era controlada e não feita ‘a salto”.

Há ainda a assinalar três filmes do realizador José Vieira, ele próprio emigrante em França e que estará na Cinemateca para os apresentar: “A Photo Déchirée, Chronique d’Une Émigration Clandestine” (“A Fotografia Rasgada”, 2002), “Le Pays où on ne Revient Jamais” (“O País Aonde Nunca se Regressa”, 2005) e “Os Emigrantes” (2009).

O ciclo terminará com um debate sobre o tema, no dia 24, com alguns dos realizadores que participaram no programa.

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