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Destruído há quase dois milénios, primeiro palácio do imperador Nero é aberto ao público em Roma

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O “Domus Transitoria”, o primeiro palácio do imperador Nero (37-68), destruído no grande incêndio de Roma de 64, foi hoje aberto pela primeira vez ao público depois de dez anos de um delicado processo de restauração.

Descobertas no século XVIII, só hoje é as ruínas do “Domus Transitoria” abriram ao público. Os primeiros visitantes puderam explorar o que sobreviveu deste grandioso palácio projetado pelo imperador Nero, um dos mais famosos da época da Roma Antiga.

Pensado para aliviar o imperador do calor do verão romano, o “Domus Transitoria” foi construido junto ao Fórum Romano pelo imperador Nero para ser uma construção opulenta, de tal forma que, como escreveu a agência Associated Press, mereceu críticas dos contemporâneos.

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Outrora decorado com folhas de ouro, pedras preciosas e pérolas, mármore embutido e frescos espalhados pelas paredes e tetos, o palácio, construído no Monte Palatino há quase 2000 anos, conheceu a sua ruína na noite de 18 de julho de 64, quando um incêndio devastou Roma.

As chamas lavraram durante uma semana pela cidade, destruindo também o palácio, onde os destroços ainda preservam vestígios do fogo. Um boato histórico diz que foi o próprio Nero quem ordenou o incêndio, sendo que historiador Tácito conta que o imperador acusou os primeiros cristãos pelos fogos, tendo sofrido violentas perseguições como consequência.

Depois da destruição, Nero terá então, como escreve o jornal diário The Telegraph, mandado rapidamente construir um novo palácio por cima das ruínas, o imenso “Domus Aurea”, um sumptuoso complexo de edifícios com jardins, vinhedos e até um lago artificial.

Hoje, já é possível visitar as ruínas subterradas do “Domus Transitoria”, onde se destaca uma latrina de 50 lugares que seria usada por escravos e trabalhadores que também tinha como função ser um espaço de sociabilidade comum.

Para aceder as este espaço recuperado, os visitantes têm de descer uma longa escadaria até chegar a uma zona subterrânea constituída por várias câmaras. É possível ver duas fileiras de latrinas separadas por um espaço onde passava água. De acordo com Stefano Borghini, um dos arquitetos responsáveis pela recuperação das ruínas, a existência deste curso deve-se ao facto de que “os romanos limpavam-se com uma esponja presa a um pau, lavando-a na água.”

A equipa arqueológica que trabalhou no sítio acredita que estas latrinas não faziam parte do espaço original, tendo sido construídas para os trabalhadores que construíram o “Domus Aurea” por cima.

Sendo ainda visíveis alguns graffiti deixados nas paredes destas câmaras, os visitantes podem, para além de visualizar o que sobrou, imaginar o que antes era, usando uns óculos de realidade virtual que permitem ver como é que era o espaço há 2000 anos.

Segundo Alfonsina Russo, diretora do espaço arqueológico que compreende o Monte Palatino, o Coliseu e o Fórum Romano, a inspiração para este palácio terá vindo de um edifício construído para o faraó Ptolemeu I Sóter em Alexandria. O seu nome, “Domus Transitoria” deveu-se ao tamanho dos seus terrenos, tão vastos que permitiam ao imperador transitar do Monte Palatino ao Monte Esquilino.

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