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Portugueses na África do Sul temem repetição das expropriações sem compensação – Conselheiros

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Portugueses na África do Sul temem que a recente política de terras e expropriação do ANC seja uma repetição das expropriações sem compensação financeira pós-independência de que foram alvo em Angola e Moçambique.

“Todos nós estamos apreensivos e há já quem fale em regressar a Portugal porque dizem que não estão para passar pelo mesmo que foram forçados a passar em Moçambique e Angola”, disse à Lusa Vasco Pinto de Abreu, conselheiro das Comunidades Portuguesas na África do Sul.

“Ainda não é um movimento significativo, mas aqueles que têm posses financeiras já se encontram a viver em Portugal e vêm cá de férias ver os filhos e os netos”, precisou.

O conselheiro, que integra a comissão temática de assuntos cívicos, políticos e consulares do Conselho das Comunidades Portuguesas, frisou que “a instabilidade existe não só devido à intenção de expropriar sem compensação financeira, mas também pelo crescente discurso anti-branco que parece estar a agravar-se” no país.

“Faz lembrar o discurso político pós-75”, disse, referindo-se às antigas províncias ultramarinas portuguesas de Angola e Moçambique.

Vasco Pinto de Abreu adiantou que levantou a questão junto das autoridades, nomeadamente com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, durante a visita oficial que efetuou à África do Sul em fevereiro de 2017 porque se trata de um assunto que “preocupa a comunidade”.

“Temos vários portugueses que são agricultores em larga escala na África do Sul e que abastecem grandes mercados municipais como os de Pretória e Joanesburgo, e sugeri que fossem visitados para auscultar o seu sentimento em relação a esta problemática”, disse.

O conselheiro das Comunidades Portuguesas sublinhou que os agricultores portugueses na África do Sul “já vão na segunda e terceira gerações”, e que por isso “não se apercebem da verdadeira dimensão do problema”.

No entanto, considerou que o posicionamento do partido no Governo pode ser “apenas um discurso político eleitoralista” e que o facto de o Presidente Ramaphosa ser também “um homem de negócios” e mencionar publicamente por repetidas vezes a salvaguarda da segurança alimentar no país é sinal de “alguma esperança”.

Por seu lado, o conselheiro da Diáspora Madeirense na África do Sul, José Luís da Silva, disse à Lusa que o partido no poder deveria abordar a questão de expropriação sem compensação financeira de forma “mais responsável”.

“A minha grande dúvida é se o Governo do ANC, que desde há 22 anos a esta parte falhou na sua governação, a avaliar pelo fracasso na saúde e na educação, terá traquejo para implementar o processo de restituição (de terras) de forma eficiente e razoável”, disse.

Segundo José Luís da Silva, “este frenesim” em torno da expropriação de terras privadas sem compensação financeira “nada mais é do que uma caça ao voto, uma vez que os partidos políticos sul-africanos encontram-se em plena campanha eleitoral”.

No entanto, advertiu: “mas se o processo for mal conduzido, isto é, com um desempenho menos bom, o povo a quem foi prometido tanto e recebeu pouco, ficará ainda mais descontente, possivelmente mais agressivo, isto é, mais violento, e violência é o que já temos que sobre neste país”.

“Se tudo isto não passar de uma manobra eleitoral para ganhar apoios, uma reforma agrária só poderá ser bem sucedida se o Governo trabalhar em parceria com o setor privado porque já se viu esta reforma populista no Zimbabué, em Moçambique, Angola, Venezuela e até na Rússia com resultados catastróficos”, precisou José Luísa da Silva.

“Existe por isso uma apreensão, muito grande mesmo, no seio da diáspora madeirense, nomeadamente aqueles que têm grandes propriedades agrícolas que foram adquiridas legalmente e não ocupadas como é a atual versão popular”, frisou à Lusa.

O conselheiro avançou também que “há pessoas já a sair do país, que preparam a sua vida lá fora”.

“A garantia do Presidente Ramaphosa é de que não haverá ocupações ilegais, mas onde não há pão sabemos no que é que isso resulta”, disse.

“É preciso saber se vamos ter pão na mesa de todos”, afirmou.

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