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Câmara da Figueira da Foz recua no abate de árvores e reformula projeto

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A Câmara da Figueira da Foz recuou na decisão de abater 16 árvores, no âmbito de uma obra de requalificação urbana em curso, e vai reformular o projeto, disse hoje o presidente da autarquia.

Em declarações aos jornalistas, João Ataíde (PS), assumiu que não sabia do corte, que esteve agendado para a manhã de hoje, de 16 plátanos, tílias e faias com cerca de 50 anos, localizadas num espaço ajardinado junto ao mercado municipal de Buarcos, previsto para ser transformado em parque de estacionamento, e garantiu que o abate não vai acontecer.

“Estava previsto de facto um corte de árvores. Algumas árvores têm de ser abatidas, os plátanos que lá plantámos há cinco anos e não têm vida, onde era antigamente uma estação de serviço, mas, por outro lado, verifiquei agora, porque a gente também vê os projetos por amostragem, que efetivamente há árvores de grande porte que pela sua natureza, pela sua beleza e pelo seu impacto merecem a nossa reapreciação”, disse João Ataíde.

“Verei agora com a equipa de arquitetura como é que se pode reconfigurar o projeto, por forma a que esse património natural não fique em causa”, argumentou o autarca.

Cerca de 50 pessoas, entre cidadãos, autarcas e dirigentes políticos do PS, PSD e CDU marcaram hoje presença em Buarcos num protesto contra o anunciado corte de árvores, que incluiu a colocação de pequenos cartazes, um por cada árvore, com a inscrição “não me matem”.

A concentração, agendada pelo movimento ambientalista Parque Verde, destinou-se a exigir à autarquia a paragem das obras e a compatibilização das árvores existentes com o projeto previsto para o local.

Questionado sobre o porquê de só agora se ter apercebido que as árvores iam ser cortadas – já que a autarquia é a dona da obra e o abate estava preparado para acontecer hoje, após as árvores terem sido marcadas com cruzes vermelhas – o presidente da Câmara classificou de “benéfico” o “alerta” dos cidadãos que se mostraram indignados com o abate das árvores.

“O alerta tem esse aspeto benéfico, obriga-nos a repensar o projeto. Sem dar por ela, podíamos estar a cometer aqui um dano sensível para a natureza”, frisou.

João Ataíde justificou o seu desconhecimento sobre o previsto abate das 16 árvores no relvado junto ao mercado municipal de Buarcos, argumentando que a análise de projetos como o da qualificação da frente marítima de Buarcos – um investimento de 1,3 milhões de euros, cuja obra começou em junho e tem um prazo de 12 meses – “é feita de uma forma genérica”.

“Eu não analiso árvore a árvore”, afirmou o autarca, admitindo também que na apresentação pública do projeto, realizada há cerca de um ano, “ninguém falou concretamente nesta ou naquela árvore”.

“Agora, em obra, efetivamente constatamos que algumas das árvores são de grande porte e obrigam a uma revisão do projeto”, reafirmou.

Questionado pela Lusa sobre as declarações feitas na terça-feira pelo arquiteto Ricardo Vieira de Melo, que confirmou a intenção de abater as árvores em causa e recusou que a sua manutenção seja compatível com o projeto para o local, de que é autor, João Ataíde disse que as relações entre o dono da obra e o arquiteto “têm de ser fáceis e têm de ser dinâmicas”.

“É evidente que os arquitetos, por natureza, têm outra análise. Mas por isso é que há dirigentes e há decisores, porque no fundo temos de consensualizar todos os interesses e o interesse de preservação do património natural também é um interesse público”, alegou o autarca.

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