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Ventos aceleram a rotação de Vénus

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A Akatsuki estudará a circulação e a estrutura vertical das espessas nuvens que envolvem Vénus. Foto: NASA

A atmosfera densa do planeta e as montanhas íngremes combinam-se para afetar a velocidade do planeta.

Ventos fortes que sopram no topo das montanhas em Vénus parecem estar a fazer com que a taxa de rotação do planeta acelere até dois minutos por “dia” venusiano, dizem os cientistas.

Há uma força da atmosfera no corpo sólido que acelera a taxa de rotação do próprio corpo sólido“, diz Thomas Navarro, cientista da Universidade da Califórnia, Los Angeles, nos EUA.

A taxa de rotação de Vénus é difícil de medir por causa da constante cobertura de nuvens do planeta. Sons de radar de duas missões orbitais, a sonda Magellan da NASA (1990 a 2004) e a nave Europa Venus Express (2006 a 2014) produziram resultados intrigantemente diferentes.

Nós suspeitamos que a taxa de rotação de Vénus varia constantemente“, diz Navarro. A diferença entre as duas medidas, acrescenta, foi de cerca de 7 minutos em cada dia de Vénus.

Um dos factos mais estranhos de Vénus é que, enquanto a sua superfície sólida leva 243 dias terrestres para fazer uma revolução de 360 ​​graus, sa ua atmosfera é dominada por ventos que sopram muito mais rápido. O efeito é suave na superfície, mas aumenta em altitude, com os cumes das nuvens atingindo velocidades superiores a 360 quilómetros por hora – tão rápido que circulam o planeta inteiro a cada quatro dias terrestres.

Quando estes ventos atingem uma cadeia montanhosa, diz Navarro, eles sobem e contornam, tal como os ventos atravessam as montanhas da Terra. No processo, eles empurram a superfície e mudam a rotação do planeta.

Na Terra, o efeito na duração do dia é minúsculo e transitório, mudando com o tempo. “São apenas alguns milissegundos”, diz Navarro. “Não é algo que possamos sentir, mas algo que possamos medir”.

Além disso, à medida que os ventos sobem e passam sobre as montanhas da Terra, as “ondas de montanha” resultantes rompem-se como ondas do mar numa praia, criando uma turbulência que mitiga o seu impacto. Em Vénus, no entanto, a lenta progressão do dia permite-lhes atingir enormes proporções, particularmente na longa e lenta tarde do planeta.

Lori Glaze, diretora interina da NASA’s Planetary Science Division, está intrigada.

“Sabemos que a atmosfera de Vénus é extremamente densa, mas é incrível pensar que a atmosfera poderá estar a contribuir para a taxa de rotação observada no planeta”, diz ela.

O que é necessário agora, acrescenta, são novas observações de longo prazo das características das ‘ondas de montanha’ observadas pela Akatsuki, bem como observações detalhadas da taxa de rotação planetária e como ela muda com o tempo.

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