Início Ambiente A noite, último refúgio de mamíferos contra o homem

A noite, último refúgio de mamíferos contra o homem

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Um castor, no centro de Orléans. LAURENT GESLIN

De acordo com um estudo publicado na revista “Science”, a expansão humana está levando muitos animais a adotarem um estilo de vida noturno.

Um pouco por todo o mundo, a presença dos humanos está a “empurrar” a actividade de outros mamíferos para o período noturno, conclui um estudo que foi publicado esta sexta-feira na revista Science.

Os cientistas decidiram quantificar pela primeira vez os efeitos da atividade humana sobre os padrões de comportamento diário da vida selvagem, em geral. Aperceberam-se de que a presença dos humanos está a criar um mundo natural mais noturno.

Perdas catastróficas de populações selvagens e de habitats como resultado da atividade humana estão bem documentados, mas as formas mais subtis pelas quais afetamos o comportamento animal são mais difíceis de detetar e quantificar”, afirmou Kaitlyn Gaynor, autora principal do artigo e investigadora na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Kaitlyn e a restante equipa analisaram dados relativos a 62 espécies de mamíferos em seis continentes, incluindo elefantes, alces e lémures, em busca de mudanças na actividade diária destes animais quando estavam na presença de humanos.

Os dados, recolhidos de 76 estudos anteriormente publicados, foram obtidos de várias formas: câmaras operadas remotamente, emissores rádio e GPS, e observação directa, explicou a Universidade de Berkeley em comunicado.

Cientistas sugerem novas medidas

Muitas espécies que estão adaptadas à atividade [diária] podem ter menos sucesso a encontrarem a sua comida, ou a evitar os predadores, ou a encontrarem parceiros para acasalar, se estiverem ativas mais à noite. Isso pode reduzir a sua sobrevivência ou a sua capacidade para se reproduzirem”, disse Kaitlyn Gaynor ao The Guardian.

A cientista americana admitiu também que “é provável que vamos precisar de preservar áreas selvagens que estejam inteiramente livres de perturbação [humana] para proteger espécies realmente vulneráveis”.

E para espécies que não conseguem mudar a sua atividade para o período nocturno ou para as quais a actividade noturna crescente está a ter consequências negativas, podemos precisar de restringir a atividade humana a certos períodos do dia, para deixarmos algumas horas de sol para os animais fazerem as suas coisas”, sugeriu.

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