Início Política ‘Uribismo’ vence na Colômbia mas abaixo das expectativas

‘Uribismo’ vence na Colômbia mas abaixo das expectativas

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As eleições legislativas deste domingo na Colômbia e as consultas entre os partidos para escolher os candidatos presidenciais deixam um gosto agridoce do ‘uribismo’, que se tornou a maior força no Congresso, mas sem o grande resultado esperado.

O partido do Centro Democrático, fundado e liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), obteve uma grande vitória na consulta, no qual seu protegido, Iván Duque, recebeu 4.021.201 votos, equivalente a 67,71%, de acordo com dados oficiais.

Duque superou os conservadores Marta Lucía Ramírez, que ficou em segundo lugar com 1.531,84 cédulas (25,81%) e Alejandro Ordóñez, com 383,130 votos (6,45%).

“É bom para a Colômbia que Iván Duque seja candidato à Presidência e Marta Lucía Ramírez para a Vice-Presidência”, disse Uribe sobre a decisão de Duque de ratificar a aliança com um setor conservador.

Também foi importante nas eleições do Senado, em que o partido obteve mais votos (cerca de 2,5 milhões de votos) e para a Câmara dos Deputados, no qual teve o segundo lugar, com 2,35 milhões, superado apenas pelo Partido Liberal (2,42 milhões).

Esses votos obtidos permitiram ao partido ter 19 dos 102 senadores e 32 dos 166 representantes da Câmara, resultado que, embora permita serem a primeira força da legislatura, está abaixo das expectativas.

O Centro Democrático atualmente tem 20 senadores e as pesquisas previam que, pelo menos, manteria o mesmo número e até chegaria a 24, o que é um revés para o partido e sobre o qual o ex-presidente não se manifestou.

Na Câmara, por outro lado, expandiu sua presença passando dos atuais 19 representantes para 32.

Curiosamente, o voto do Centro Democrático para o Senado e a Câmara foi inferior em 1,5 milhões de votos do que o obtido individualmente por Ivan Duque na consulta, o que mostra o quão fragmentado são os partidos políticos colombianos.

A validade do fenómeno de Uribe, que depois de oito anos na oposição ainda é o principal barão eleitoral do país, amado por alguns com a mesma intensidade com que é odiado por outros, foi revelado neste domingo.

Uribe foi reeleito como senador com mais de 866 mil votos, revalidando o seu papel fundamental no Congresso, onde liderou a oposição ao acordo de paz com as FARC e o regime “castrochavista” da vizinha Venezuela.

De acordo com a votação, a lista das FARC ao Senado obteve escassos 52.112 votos, o que representa 0,34%, e o resultado na Câmara dos Deputados foi bem pior, porque ficou com 32.429 votos, (0,22%).

Apesar desse fracasso, o antigo guerrilheiro terá no próximo mandato cinco senadores e cinco representantes na Câmara, garantidos por um período de oito anos, graças à assinatura do acordo de paz.

A fraude desta eleição é a descida do Partido U, de que faz parte o atual presidente Juan Manuel Santos, que elegeu hoje 14 senadores, menos sete do que obteve em 2014, quando foi a primeira força na Câmara Alta.

Pior resultado tem ainda na Câmara dos Deputados, onde passou de 37 para 25 assentos, um declínio notável em que pesou a erosão de oito anos do governo de Santos e a decisão de não apresentar candidato presidencial por não ter um líder forte.

O resultado do ‘uribismo’, embora não fosse esperado no Senado, torna o Centro Democrático favorito para as eleições presidenciais em maio, já que nenhum dos outros candidatos mostrou o apoio eleitoral obtido por Ivan Duque com os seus quatro milhões de votos.

Esse fluxo, somado aos votos que Ramírez e Ordóñez devem fornecer como parte da aliança, faz o ‘uribismo’ pensar em ganhar a primeira ronda presidencial com quase seis milhões de votos, o mesmo número de votos com o qual foi conseguido em 2016, por margem estreita, o plebiscito do acordo de paz.

O ex-Presidente colombiano Álvaro Uribe foi reeleito como senador, com mais de 864 mil votos, o que o torna o deputado da câmara alta que obteve mais votos numa eleição.

Estas eleições são consideradas cruciais porque definirão o apoio que o próximo Presidente terá para governar, e terá um parlamento cuja novidade será a presença de dez membros das FARC (agora Força Alternativa Revolucionária Comum), cinco em cada casa legislativa, independentemente do número de votos obtidos, já que foi assim determinado no acordo de paz com a ex-guerrilha.

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