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Conservar melhor, produzir mais: O projeto europeu Fieldfood

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O projeto desenvolve uma técnica utilizada numa quinta, na Irlanda, e testada na produção de vinho, em Espanha.

Gostamos dos nossos sumos de fruta frescos, do nosso azeite extra virgem e do nosso vinagre de cidra com aroma intenso.

Muitas vezes, os processos concebidos para conservar a comida durante mais tempo, como a pasteurização dos alimentos, fazem com que a comida perca sabor e nutrientes.

Mas há uma tecnologia que permite uma produção mais eficaz e mais saudável, conhecida como PEF – Pulsed Eletronic Field, ou seja, a técnica de Energia Elétrica Pulsada.

A quinta integra o projeto europeu de investigação Fieldfood, graças aos fundos da União Europeia. O objetivo do Fieldfood é desenvolver a eficácia da técnica PEF e aplicá-la a pequenas e médias indústrias.

A técnica implica a administração de elevadas cargas de eletricidade durante curtos espaços de tempo – menos de um segundo – provocando um efeito semelhante ao da pasteurização, mas sem submeter os alimentos a elevadas temeperaturas.

Para além de preservar as qualidades dos alimentos, a técnica PEF permite também poupar energia.

A Euronews visitou uma quinta no sudoeste da Irlanda, onde se produzem cerca de 600 toneladas de maçãs por ano, das quais 150 toneladas vão para sumo, cidra ou vinagre.

Cornelius Taas, proprietário da quinta, contou à Euronews que as condições de produção de sumo de maçã de qualidade são “bastante exigentes.” Mas o método PEF, diz Cornelius, poderia melhorar a quantidade e a qualidade da produção.

““Estamos à espera de uma câmara de tratamento mais pequena que aplique mais pressão numa área reduzida. Esperamos que consiga desintegrar as células da fruta, mas também células mais pequenas, como as de bactérias e assim.”

Um grupo de cientistas da Universidade de Saragossa, em Espanha, diz que a técnica pode também ser aplicada na produção de vinho.

O método de desintegração de células com recurso à energia elétrica pulsada permite reduzir a concentração de polifenóis no vinho, o que reduz o tempo de maceração.

Marcos Maza, um dos investigadores, explicou quais foram as únicas mudanças no produto final, quando comparado com o produto conseguido com as técnicas tradicionais:

“Há uma mudança nos polifenóis. Por isso, podemos ver que o vinho que passou pelo processo de tratamento com energia elétrica pulsada tem uma cor mais intensa ou seja, tem mais polifenóis do que o vinho não processado”.

Os resultados da investigação permitem chegar a condições ideais de produção no setor alimentar.

Isto porque, pesar da eficácia do processo, a energia dispendida não é demasiado elevada.

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