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Arqueólogos debatem em Lisboa destino dos espólios arqueológicos

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O destino dos espólios arqueológicos, provenientes das diversas escavações, o seu estudo e inventariação preocupam os arqueólogos que se reúnem hoje, em Lisboa, na Sociedade de Geografia.

O futuro do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) é outro tópico do debate que reúne arqueólogos que trabalham na esfera das autarquias, nas universidades, em empresas privadas e sob a tutela da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

O moderador do encontro, o catedrático de História José d’Encarnação, jubilado da Universidade de Coimbra, disse à agência Lusa que, “fundamentalmente, [vai ser debatido] o destino do espólio que é retirado das escavações”.

José d’Encarnação referiu que, “de acordo com a lei, esse espólio deve ser depositado nos museus da DGPC, nos seus depósitos, ou nos museus municipais”, todavia, a arqueologia que está a ser feita “é de emergência”.

“Quando é necessário fazer uma obra – edifício, urbanização ou estrada, por exemplo – em local onde há presumivelmente vestígios arqueológicos, chama-se uma empresa de arqueologia que faz uma sondagem, normalmente muito restrita, tanto de tempo – porque as máquinas estão sempre a pressionar -, como de espaço e, mesmo que se encontrem construções ou estruturas que se considerem relevantes, como não há autorização para mais do que aquele perímetro, não se faz mais nada”, explicou o catedrático de Coimbra.

“Esses materiais, com muita frequência, vão para as sedes das próprias empresas de arqueologia ou da empresa que determinou ou financiou a sondagem”, disse.

“O nosso problema é que esse material está cada vez mais a ser amontoado, sem ser estudado, até porque as empresas vão trabalhando ora uma vez num [local], ora noutro, sem hipótese nenhuma de estudo”, enfatizou.

O estudo dos materiais, de acordo com o catedrático, nem as empresas nem as câmaras se predispõem a fazer, disse Encarnação que traçou um retrato da situação, segundo o qual, os espólios arqueológicos estão amontoados, sem hipótese de estudo, sem inventariação, nem classificação, na maior parte dos casos, dispersos e fora da alçada do Estado.

“Os arqueólogos que fazem as escavações mantêm a prioridade científica sobre os espólios”, ressalvou o especialista em epigrafia.

“O material amontoa-se sem esse estudo, e são raríssimas as empresas que têm isso previsto nos seus orçamentos”, disse, realçando os “casos exemplares” da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), que trabalhou na barragem do Alqueva, no Alentejo, e contratou arqueólogos e empresas de arqueologia, tendo esse trabalho sido “devidamente publicado”, e da Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL), que financiou a publicação dos resultados de uma escavação que foi feita, recentemente, nos arredores de Lisboa, devido ao restauro de uma conduta.

O epigrafista afirmou que um dos tópicos da reunião é o futuro do material “muito frágil” à guarda da CNANS, cujo “futuro é incerto”.

Questionado pela Lusa, sobre a possibilidade, anunciada pelo minsitro da Cultura, de colocar o CNANS no Forte de Xabregas, em Lisboa, José d’Encarnação respondeu: “Isso é o que vamos ver…”.

A reunião de hoje em Lisboa conta com a participação de António Carvalho, diretor do Museu Nacional de Arqueologia, de Alexandre Grandim, da Câmara de Alcoutim, Eugénio Cunha, da Universidade de Coimbra, Carlos Fabião, da Universidade de Lisboa, Carlos Mendes, da associação “Terras Quentes”, José Morais Arnaud, da Associação de Arqueólogos Portugueses, e de Miguel Lago, da empresa Era-Arqueologia, entre outros.

Sob o tema “Depósitos arqueológicos: património ou lixo?”, o debate é organizado pela Secção de Arqueologia da Sociedade de Geografia de Lisboa e do Centro de Arqueologia de Lisboa.

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