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Formação de docentes e metodologias de ensino devem ser revistas em Timor-Leste – ministro

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Os melhores resultados das escolas de referência de Timor-Leste, com professores portugueses e timorenses, mostram que a formação de docentes e a metodologia de ensino são essenciais para fortalecer a capacidade dos alunos, disse hoje o ministro da Educação.

António da Conceição disse que os currículos dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), conhecidos como escolas de referência, e as restantes escolas do ensino público timorense são idênticos e que a única diferença é a capacidade dos professores e as metodologias de ensino.

“O que se vê de diferente nas CAFE é a atitude, a forma de ensinar dos professores portugueses e a sua relação com os alunos. São questões específicas que fazem com que o estudante se sinta psicologicamente mais satisfeito na sala de aula e mais ambientado a estudar”, disse à Lusa, em Díli.

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“Quando comparamos as escolas públicas normais com os CAFE, onde também se ensina timorenses em tétum e português, nota-se um progresso significativo”, disse.

Os CAFE são o elemento mais importante do programa de apoio ao ensino do português em Timor-Leste, abrangendo mais de 7.000 alunos do ensino pré-escolar e básico.

Para António da Conceição, a par do debate sobre a língua de instrução, “um dos problemas essenciais é a capacidade dos professores e as metodologias de ensino que devem ser adotadas” para ensinar.

“São questões que o ministério está a avaliar, para ver como podemos melhorar a formação dos professores, não apenas no domínio da língua e da matéria, mas também as formas de comunicar, as metodologias de ensino e de relação com os alunos”, disse.

Antonio da Conceição falou à Lusa à margem de um encontro para apresentar os resultados do projeto-piloto de educação multilingue baseada na língua materna (EMBLI, na sigla em tétum), que comparou alunos ensinados com língua materna com os das escolas públicas normais e dos CAFE.

“Não se trata de um debate sobre política linguística, e o tétum e português continuam a ser línguas de instrução. O que se pretende é avaliar todas as opções para melhorar a qualidade educativa”, disse na apresentação do relatório.

À Lusa, afirmou que o projeto-piloto não se vai materializar para já em política do Governo, “até por falta de recursos”, mas é “mais um contributo para a melhoria da educação.

“Não [o] considero como um projeto que tencionamos continuar. Não temos ainda um orçamento específico para isto. Penso que agora deve-se analisar isto ainda melhor a nível académico e ver se e como podemos contribuir para levar este projeto adiante”, afirmou.

O estudo, apresentado por Stephen Walker, do Graduate Institute of Applied Linguistics, sediado em Dallas, no Texas, analisou alunos em escolas-piloto de três regiões (Lautem, Manatuto e Oecusse).

Na análise comparativa da “eficácia educativa”, o estudo dá uma nota de 27,88 valores às escolas públicas normais, de 55,36 aos CAFE e de 58,63 às EMBLI. Inclui na avaliação testes de leitura, compreensão e matemática (entre outros) e aspetos como participação no ensino pré-escolar, faltas e outros “ajustamentos contextuais”.

Segundo este estudo, os alunos do projeto EMBLI tiveram resultados mais elevados em todos os testes exceto em matemática do que os colegas das outras escolas públicas, em muitos casos, duplicando as notas.

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