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Docentes, pais e alunos da Escola Portuguesa em Díli pedem exames noutros horários

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Docentes, pais e alunos da Escola Portuguesa de Díli, Timor-Leste, voltaram hoje a apelar ao Ministério da Educação para que acabe com “a injustiça” de obrigar os estudantes a fazer exames à noite devido à diferença horária.

A obrigatoriedade de que os exames nacionais se realizem à mesma hora implica que na escola Ruy Cinatti de Díli, que faz parte do sistema português, os alunos os tenham que realizar ao final da noite, terminando já depois da meia-noite.

Por isso a Associação de Pais tem a decorrer uma petição para enviar para o Ministério da Educação para alertar para um problema que continua por resolver, apesar de haver soluções, insistem, há vários anos.

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“A questão da diferença horária, de mais 8 horas, é bastante sensível, uma vez que obriga os alunos desta escola a iniciarem os exames entre as 18:00 e as 23:00, já tendo ocorrido situações de alunos que terminaram as provas às 01:30 da madrugada”, refere-se a petição já assinada por mais de 150 encarregados de educação.

“Esta situação é delicada e coloca em causa o rendimento dos alunos nos exames, sendo que estes representam um peso considerável na classificação final, o que prejudica, inclusivamente, o próprio desempenho global da escola”, dizem.

Na petição sublinha-se ainda que, no passado, já se realizaram exames em dias que no calendário timorense são feriados nacionais, como 20 e 26 de maio.

“A Comissão de Pais e Encarregados de Educação vem, por este meio, solicitar a realização de exames finais em datas e horários considerados adequados para o contexto em que a escola se encontra”, refere-se na petição endereçada ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Apelos redobrados foram deixados hoje durante um encontro que professores e outros membros da comunidade portuguesa em Díli mantiveram com a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.

“Um aluno em Timor fazer o exame à meia-noite é inconcebível. Têm-me dito que os secretários de Estado que aqui vêm saem sempre com o compromisso de que isso vai ser alterado. Mas chegam a Singapura e esquecem-se da situação”, afirmou hoje Acácio de Brito, diretor da Escola Portuguesa.

Comprometendo-se a levantar o assunto com qualquer governante que visite Timor-Leste, até que a questão seja resolvida, considerou a questão dos exames “muito fácil de resolver” e “sem ter que dar mais trabalho” ao IAVE, o Instituto de Avaliação Educativa, responsável por fazer os exames nacionais.

“São feitas sempre três provas: para o sistema normal, para atletas de alta competição e para as situações excecionais. Timor pode ser essa situação excecional. E a situação pode ser resolvida de hoje para amanhã”, afirmou.

“Apelo para que este assunto seja tratado, em nome de uma certa justiça. Os resultados dos alunos podem ser melhores se fizermos esta alteração”, disse, dirigindo-se a Catarina Marcelino.

A secretária de Estado afirmou que apesar de a área da educação não ser da sua responsabilidade ia fazer chegar essa mensagem a quem de direito.

“Esta questão dos exames é absurda e qualquer pessoa com a mínima perceção do que é o ciclo biológico, sabe que não faz sentido colocar crianças à meia-noite numa escola a fazer exames”, disse.

“Em particular se há uma solução, não vejo porque é que não se pode resolver”, considerou.

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