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Acidente leva portuguesa a revolucionar parques infantis no Brasil

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A designer portuguesa Susana Ventura está a tentar revolucionar os parques infantis no Brasil, imprimindo-lhes mais segurança e criatividade, depois de o seu filho ter sofrido um acidente numa estrutura infantil.

Quando a quina de um balanço pesado de madeira bateu na cabeça do seu filho de sete anos, provocando-lhe um corte profundo na testa, a diretora da escola suíça onde ele estudava disse “ter procurado o Brasil inteiro por equipamentos para parques infantis semelhantes aos europeus, mas não conseguiu”, começou por contar Susana Ventura.

Olhando para os espaços de lazer infantis “com outros olhos”, Susana Ventura e as suas duas filhas concluíram que “os brinquedos atuais foram desenhados nos anos 50 e 60 e replicados até agora”.

Segundo a designer, ao contrário do que acontece na Europa, no Brasil, as pessoas não dão importância aos parques infantis e, mesmo quando constroem “apartamentos de luxo com materiais de alta qualidade, quando descemos para o playground [parque infantil], verificamos que estamos na China”.

Perante isto, as três decidiram desbravar terreno nesta área, com base no que tinham aprendido numa empresa de parques infantis em Portugal, e montaram a Oikotie.

Para a portuguesa, mais difícil tem sido fazer as pessoas “entender que investir num ‘playground’ é muito mais do que comprar um balanço e um escorrega e que brincar é muito mais importante do que se pensa”, pois ajuda a criança a desenvolver a sua “criatividade, inteligência, o seu bem-estar físico e emocional” e ainda a socializar.

No Brasil, “investe-se muito em áreas e atividades de lazer para adultos, mas não para crianças e adolescentes”, lamentou, frisando que mais do que na segurança e na qualidade, os compradores estão interessados num preço baixo.

“Por outro lado, vemos que as pessoas olham-nos com muito bons olhos e ficam felizes por nós existirmos e estarmos trazendo para o Brasil espaços diferenciados, inovações, uma modernização dos espaços de lazer e áreas verdes, tornando-as muito mais atrativas, especialmente arquitetos”, destacou.

Segundo a Oikotie, em 2012 no Brasil cerca de 4.700 crianças morreram vítimas de acidentes e 125.000 foram hospitalizadas, muitos deles em ?playgrounds’.

“Quase 40% das crianças estão acima do peso ou obesas. Este é outro desafio. Cativá-las para descerem para o ?play’, ao invés de ficar no telemóvel, tablet, computador, etc. O ‘playground’ tem de ser muito mais atrativo”, defendeu Susana Ventura.

Para além das mentalidades, Susana Ventura tem enfrentado “uma complexa burocracia”, “muitos impostos” e comportamentos que dificultam o seu negócio, “como falta de pontualidade e desorganização”.

“A maior parte dos produtos é importada da Europa, principalmente porque aqui não existem fabricantes deste tipo de produtos”, disse, dando também conta de alguns brinquedos que a empresa tem desenvolvido com” materiais locais, como madeira e aço”.

Um papagaio enorme com várias brincadeiras, localizado no Rio de Janeiro, é um deles.

A empresa, que neste momento tem 110 projetos em mãos, será responsável, por exemplo, por “três áreas de ‘playgrounds’ em Vilas Olímpicas do Rio de Janeiro”, avançou.

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