Início Emprego Cabo Verde: Desemprego “muito elevado” num país dominado pelo trabalho informal

Cabo Verde: Desemprego “muito elevado” num país dominado pelo trabalho informal

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Os sindicatos cabo-verdianos consideram “muito elevada” a taxa de desemprego em Cabo Verde e alertam para o grande peso do trabalho precário e da economia informal, num país onde a emigração surge muitas vezes como a única resposta.

“A perceção que temos é que há muito mais gente neste momento no desemprego. Todos os dias estamos a ver dezenas, centenas de jovens que saem das universidades e andam à procura do primeiro emprego”, disse à agência Lusa Júlio Ascensão Silva, secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores – Central Sindical (UNTCS).

No mesmo sentido, José Manuel Vaz, presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL) entende que a atual taxa de 15,4 por centro de desemprego estimada pelos sindicatos (15,8% em 2014 segundo os dados mais recentes do INECV) é demasiado elevada.

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“É uma taxa muito alta. Tendo em conta que Cabo Verde é um país pequeno não podemos ter uma taxa de desemprego tão alta e afetando sobretudo a camada jovem e as mulheres”, disse José Manuel Vaz.

“Encontramos jovens com licenciaturas e mestrados há três ou cinco anos sem encontrar emprego”, acrescentou, sublinhado que é possível ver muitos desses jovens à porta das embaixadas dos Estados Unidos e de Portugal à procura de sair do país.

Para José Manuel Vaz, o desemprego e a frustração está a levar muitos jovens a enveredarem pela droga, o álcool e a prostituição, e por isso a emigração surge muitas vezes como a única alternativa.

Opinião diferente tem Júlio Ascensão Silva, da UNTCS, que acredita que com a crise financeira nos principais destinos dos cabo-verdianos, a emigração é cada vez menos uma porta de saída para situações de desemprego.

Os dois sindicalistas assinalam também a falta de qualidade do emprego em Cabo Verde, com grande quantidade de trabalhos precários e a aceitarem funções e salários abaixo das qualificações que têm.

“Temos uma percentagem elevada de emprego de fraca qualidade. Há muita precariedade. Cerca de 80 por cento dos trabalhadores ou não têm contrato ou estão contratados a prazo”, disse Júlio Ascensão Silva.

“Mas também temos uma percentagem enorme no setor informal. Há muita gente no setor informal sem as mínimas condições de trabalho e com salários baixos”, acrescentou.

Para José Manuel Vaz, emprego de qualidade só no setor público, no turismo e no comércio.

“A economia informal tem sido uma alternativa de emprego para jovens que têm licenciatura e com o 12º ano”, alguns com sucesso, disse.

Acrescentou que a política económica que tem sido seguida penaliza as empresas do setor formal com taxas e impostos elevadíssimos e tem estimulado a economia informal.

“Muitas empresas estão a fechar portas, a desaparecer e a despedir os trabalhadores, incluindo os investidores externos”, disse.

Por isso, os dirigentes sindicais concordam que o emprego tem que ser central na agenda política de qualquer governo que saia das eleições de 20 de março, mas têm dúvidas de que venha a realmente a ser assim.

“Congratulamo-nos por todos os partidos concorrentes estarem preocupados com a problemática do desemprego no país”, disse Júlia Ascensão Silva, não se alongando em comentários aos 15 a 45 mil novos empregos prometidos pelos dois maiores partidos de cabo Verde.

Para José Manuel Vaz, qualquer partido que ganhar terá que “ter como bandeira a criação de emprego digno” porque, segundo disse, sem a resolução do problema do emprego “os problemas sociais graves” continuarão a existir.

“Há essas promessas, mas ficamos preocupados porque o partido que ganha, quando chega ao poder, começa a fazer o discurso de que não há espaço orçamental para resolver esses problemas. Neste momento, prometem tudo e mais alguma coisa, mas quando estão no poder esquecem as promessas que fizeram”, disse.

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