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Empresários defendem aposta de Portugal na construção metálica e mista

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A Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista (APCMM) defendeu hoje que Portugal tem de apostar na construção metálica em detrimento do betão, por ser uma solução mais competitiva e com possibilidade de reciclagem.

“As verbas europeias não podem financiar betão outra vez. O Portugal 2020 tem de se fazer com construção metálica, sobretudo a reindustrialização de que o país tanto precisa e que os nossos empresários estão a protagonizar”, refere Filipe Santos, da APCMM, citado num comunicado daquela entidade.

O responsável, que é também administrador do grupo Vesam, com sede em Cantanhede, considera que “as soluções metálicas são mais competitivas porque, desde logo, incorporam mais tecnologia do que o betão: baseiam-se em elementos pré-fabricados que são mais leves e, por isso, viajam melhor e com menos custo para qualquer parte do mundo”.

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Por outro lado, acrescenta, “a possibilidade de reciclagem é total, o que não só baixa drasticamente os custos, como diminui a pegada ecológica”.

Esta visão vai ser discutida no congresso da Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista, que se realiza na quinta e na sexta-feira em Coimbra, e no qual vai ser deixado “um aviso muito sério ao próximo Governo: as verbas do novo quadro de apoio europeu – o Portugal 2020 – não podem voltar a financiar bens não transacionáveis em betão”.

Segundo aquela associação, a construção metálica portuguesa garante atualmente 16 mil postos de trabalho diretos e tem crescido nos últimos anos a um ritmo de 30% ao ano, tendo representado em 2014 um volume de negócios superior a 1.500 milhões de euros.

Cerca de 80% da sua produção é exportada, sobretudo para países como a França, Bélgica e Holanda, bem como para nações da África Austral, Magrebe e América Latina.

A construção metálica portuguesa não se limita a edifícios de habitação ou de escritórios, a fábricas ou a pontes e viadutos, sendo também utilizada em infraestruturas de prospeção de petróleo e de gás, estruturas das energias renováveis como a solar ou a eólica e na produção de máquinas industriais.

Carlos Poço, presidente do Grupo Poço, sediado em Leiria, destaca o princípio da reversão como uma das maiores vantagens da construção metálica: “Seja na construção de uma fábrica, seja na reabilitação de um centro histórico património da humanidade como o de Coimbra, é fundamental que o que se faz hoje seja desfeito amanhã com facilidade”.

“Com o betão, desfazer custa quase tanto como construir. Com a construção metálica põe-se e tira-se facilmente, monta-se e desmonta-se: a fábrica muda-se de sítio, o edifício da zona histórica será muito mais fácil de manter e de reabilitar daqui a um século se a sua estrutura for em metal e não em betão”, sublinhou.

Para Manuel Martins, presidente da Arestalfer, de Sever do Vouga, que está a ganhar obras em França ao serviço de multinacionais, Portugal tem de acompanhar os mercados mais evoluídos como os do centro e norte da Europa.

“A grande vantagem não é só tudo se poder montar e desmontar com facilidade: é que as fábricas portuguesas produzem com a mesma facilidade e qualidade para França ou para a Colômbia, para Portugal ou para o Médio Oriente”, garante o empresário.

“Como as empresas portuguesas se tornaram extremamente competitivas a nível mundial, nomeadamente devido à sua ligação à investigação académica, é fundamental antecipar o que aí vem em termos tecnológicos e comerciais para podermos usar todo o nosso potencial e ganhar mais dinheiro”, acrescenta Filipe Santos, da APCMM.

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