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Bruxelas, uma cidade em alerta máximo, com Paris bem presente

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Bruxelas, 21 nov (Lusa) – Bruxelas é uma cidade em estado de alerta, com o aumento para o nível máximo de ameaça terrorista a ser levado a sério pela população, sobretudo depois dos ataques que atingiram a “vizinha” Paris a 13 de novembro.

Flagey, uma das zonas da capital belga com particular animação ao fim-de-semana, e onde residem muitos portugueses, tinha hoje muito menos movimento que o habitual, apesar de o mercado de rua que aos sábados e domingos enche a praça central não ter sido cancelado, e portugueses do bairro ouvidos pela Lusa admitem que a situação é tudo menos tranquilizadora.

Manuel chegou de manhã cedo para abrir o café onde trabalha, e foi então que se soube do aumento do nível de alerta de ameaça terrorista em Bruxelas para “4”, o máximo possível, mas aponta que algo já mudou antes, mais concretamente uma semana antes, pois o receio, diz, é visível desde 13 de novembro.

“Ultimamente tem sido assim, desde que aconteceu aquilo em França. Flagey é uma zona com muita gente a passear, sobretudo sábado e domingo, que é dia de mercado, mas está muito calmo”, aponta.

Na sua opinião, é preciso “ter confiança” nos serviços de segurança, polícias e militares, de Bruxelas, até porque, ao fim ao cabo, Bruxelas é “a capital da União Europeia”, mas admite que “é complicado” não sentir medo.

“É uma ameaça. Vimos aquilo que aconteceu em França e sabemos que pode acontecer aqui. Dizem que ele está cá, que é de cá…”, observa, referindo-se ao suspeito mais procurado desde os ataques de Paris, Salah Abdeslam, que segundo as autoridades policiais regressou à Bélgica.

Manuel admite que o facto de trabalhar num café aumenta o sentimento de ameaça, depois da série de ataques de Paris, que visaram vários restaurantes e esplanadas, além de uma sala de espetáculos e o Stade de France.

“Sim, claro, não só por causa de mim, mas principalmente pelos clientes. Foi aquilo que aconteceu em França: estavam pessoas descansadas, seja num jogo de café, ou a beber um café com os amigos, e aconteceu aquilo que aconteceu, perderam muitas pessoas… Tenho sempre receio, sim. Sempre receio”, diz.

Na rua, Maria de Lurdes, que passa com um carrinho de bebé, reconhece que não tinha conhecimento do aumento do nível de alerta, diz que estará mais atenta às notícias, mas garante que não se deixa bater pelo medo.

“Estou atenta às notícias e a tudo, porque me preocupo. Mas não se pode ter medo, senão então não se vive, e o que tiver que acontecer acontece”, afirma.

Na zona de Schuman, onde se encontram as sedes da Comissão Europeia e do Conselho, as ruas estão quase desertas, as estações de metro fechadas e veem-se vários agentes da polícia armados, enquanto os cafés praticamente não têm clientes.

Dois turistas espanhóis, Carlos e Mara, caminham no entanto pela rotunda. Hesitam em que direção seguir, mas garantem à Lusa que já sabiam do estado de alerta máximo e do encerramento do metro.

“Informaram-nos no hotel. Disseram-nos o que podemos e não podemos fazer. Chegámos ontem (sexta-feira) e não tencionamos mudar os nossos planos, embora saibamos que há vários sítios onde tínhamos pensado ir que não podemos visitar hoje, porque estão fechados”, diz à Lusa o casal vindo das Astúrias.

Bruxelas encontra-se desde a madrugada passada no nível de ameaça terrorista máximo, tendo o primeiro-ministro belga, Charles Michel, indicado que a subida do estado de alerta se deveu a “ameaça de um ataque de indivíduos com explosivos e armas em vários locais da capital”.

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